A ORIGEM E O FIM DO MAL

Por Pe. José Lenilson de Morais, Vigário Paroquial de São José de Mipibu.

“Temos uma só vida, portanto, uma única oportunidade para escolhermos entre o bem e o mal”. É esta a afirmação segura do renomado exorcista italiano Gabielle Amorth no seu livro “Um exorcista conta-nos” da Paulinas editora. Pode parecer algo ultrapassado, mas se quisermos compreender a origem do mal de modo menos folclórico e fantasioso deveríamos ler este Best-seller europeu. Em 35 anos de experiência o sacerdote adquiriu autoridade e ciência para falar sem alardes e sem melindres desta realidade.

Sem dúvida, ao ler o texto, vemos claramente que para o Sacerdote Católico, o Diabo não é responsável por todo o mal, uma vez que o homem é livre, porém enganam-se os que pensam se tratar apenas de uma expressão linguística para falar do mal generalizado. Confesso que detesto vê pregadores nas televisões pondo o Demônio em tudo, quase esquecendo a mensagem de vida e esperança de Jesus Cristo. Todavia, é bem verdade que é mais cômodo e, talvez, mais atraente pregar um cristianismo só de um “amorzinho sentimental” e aparente que renega por completo a cruz, a renúncia, as lutas para viver conforme a verdade do evangelho que salva e liberta para gerar ressurreição.

O mal é uma realidade e há muitos escravos da maldade porque se fazem seguidores do “pai da mentira”. É assim que Cristo chama o Demônio e é assim que muitos se comportam: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Ev. João 8,44). O problema é que a mentira, a calúnia, a falsidade não salvam nem libertam. Há uma escravidão sempre crescente que leva a uma fome insaciável, pois não existe satisfação duradoura naquilo que não é de Deus. O mal é como um fogo que se consome sem poder destruir, sem poder aniquilar para sempre a voz de Deus que fala ao coração e à consciência: “Eu te amo, mas tu erraste, tens que escolher a mim ou tuas ilusões”. É aqui que o homem, não o simples pecador, mas principalmente o perverso e mentiroso gostaria de calar a voz de Deus. E como não o pode fazer lança-se voraz contra a voz da Igreja. Ah como muitos almejam o dia em que a Igreja seja apenas uma recordação do passado! Esquecem-se tola e completamente que a história dos últimos 20 século se confunde com a história da própria Igreja católica. É certo que em alguns momentos da sua caminhada o mal se introduziu no coração e na vida de alguns, que já eram perversos por sua vida e práticas contrárias a natureza e a dignidade humanas, mas nunca ela deixou ou deixará de ser a “Esposa amada do Cordeiro” e também a “Morada de Cristo entre os homens” sobre a qual está uma das mais firmes profecias do Salvador: “As porta do inferno nunca poderão vencê-la” (Mt 16,18).

Quando era seminarista havia um professor que costumava comparar nossa vida com uma partida de futebol com a diferença que o time de Cristo já sabia da vitória. Nunca gostei desta ideia, talvez porque nunca fui um torcedor apaixonado, porém lendo o livro do Pe. Gabriele Amorth e, sobretudo, acompanhando a maldade crescente em todo o mundo (longe e perto) sou obrigado a admitir que se a vida não se trata de uma “partida”, ela é uma grande, maravilhosa e única oportunidade para sermos do bem ou do mal, da verdade ou da mentira, de Cristo ou do demônio; e que após esta breve passagem resta-nos colher a vida ou a morte, sendo que ambas são eternas. Hoje compreendo mais do que nunca porque em todas as missas rezamos “livrai-nos de todos os males, ó Pai” e ao acordar o cristão faz seu primeiro “exorcismo” do dia quando reza: “…livrai-nos, Deus Nosso Senhor, de nossos inimigos”.

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